O El Niño de 2026 e 2027 pode ser o mais intenso desde 1950. A previsão do Inmet é de temperaturas acima do normal em quase todo o país e de mais ondas de calor do que a média até o fim do ano. Nesse cenário, o conforto térmico dos imóveis passa a ser uma preocupação central para moradores e proprietários. Para muitas famílias, a saída tem sido instalar ar-condicionado, o que resolve o desconforto mas aumenta o gasto com energia. Boa parte desse calor entra pelo telhado, janelas e paredes, e...

O El Niño de 2026 e 2027 pode ser o mais intenso desde 1950. A previsão do Inmet é de temperaturas acima do normal em quase todo o país e de mais ondas de calor do que a média até o fim do ano. Nesse cenário, o conforto térmico dos imóveis passa a ser uma preocupação central para moradores e proprietários. Para muitas famílias, a saída tem sido instalar ar-condicionado, o que resolve o desconforto mas aumenta o gasto com energia.

Boa parte desse calor entra pelo telhado, janelas e paredes, e pode ser reduzida com alterações no próprio imóvel. Algumas são rápidas e de baixo custo, como toldos e películas nos vidros. Outras pedem obra, como manta térmica e forro. Este conteúdo reúne as principais, organizadas pela parte do imóvel em que atuam.

Neste conteúdo, você entenderá:

  • Por que o imóvel esquenta tanto durante uma onda de calor?
  • Quais alterações reduzem o calor que entra pelo telhado?
  • Como diminuir o calor que entra pelas janelas?
  • O que fazer nas paredes e na fachada?
  • Como melhorar a ventilação do imóvel?
  • Como usar a climatização gastando menos energia?
  • O que fazer durante uma onda de calor?

Por que o imóvel esquenta tanto durante uma onda de calor?

Para o Cemaden, uma onda de calor acontece quando as temperaturas máximas e mínimas ficam muito acima do padrão por pelo menos três dias seguidos. O detalhe importante está nas mínimas: se a noite também fica quente, o imóvel não consegue perder o calor acumulado durante o dia, e a temperatura interna sobe um pouco mais a cada dia.

O calor chega ao interior por três caminhos principais:

  • Telhado e laje: Recebem sol durante todo o dia e transmitem calor para os cômodos de baixo, o que pesa mais em casas térreas e no último andar de prédios
  • Janelas e vidros: Deixam o sol entrar diretamente, principalmente nas fachadas voltadas para o oeste, que recebem sol à tarde
  • Paredes externas: Acumulam calor ao longo do dia e o liberam para dentro à noite

A falta de ventilação agrava os três. Por isso, as alterações mais eficientes seguem uma ordem: impedir que o calor entre, facilitar que ele saia e, por último, resfriar o ambiente com aparelhos.

Quais alterações reduzem o calor que entra pelo telhado?

O telhado é o ponto em que as alterações costumam trazer mais resultado em casas e coberturas.

Pintura reflexiva. Tintas claras próprias para cobertura, aplicadas sobre telhas ou lajes, refletem parte da radiação solar e reduzem o calor absorvido. Em uma simulação com moradias de São Paulo, pesquisadores da Universidade de Michigan verificaram que pintar de branco reflexivo um telhado metálico reduziu a temperatura interna em 5 °C. Na Filadélfia, nos Estados Unidos, a pintura branca de 340 telhados reduziu entre 2,2 °C e 2,8 °C a temperatura máxima na superfície interna dos tetos.

Manta térmica ou subcobertura. Instalada sob as telhas, a manta com face aluminizada reflete o calor antes que ele chegue ao forro. Exige retirar e recolocar parte das telhas, por isso costuma ser feita junto com uma revisão do telhado.

Forro com isolamento. Um forro sob o telhado cria uma camada de ar entre a cobertura e o cômodo. Com material isolante sobre ele, como lã de vidro ou lã de rocha, a barreira fica mais eficiente.

Como diminuir o calor que entra pelas janelas?

O vidro deixa o sol entrar e retém o calor dentro do cômodo. Por isso, a regra mais eficiente é bloquear o sol antes que ele chegue ao vidro.

Sombreamento externo. Toldos, brises, persianas externas e telas de sombreamento impedem que o sol bata diretamente na janela. Funcionam melhor do que cortinas internas, porque o calor fica do lado de fora do imóvel. Nas janelas voltadas para o oeste, são a alteração de maior efeito.

Películas de controle solar. Aplicadas no vidro existente, refletem parte da radiação sem obra. Existem versões claras, que mantêm a visão e a luminosidade, e versões espelhadas, que alteram a aparência da fachada.

Troca de vidros. Vidros de controle solar ou duplos reduzem a passagem de calor de forma mais duradoura, mas exigem a substituição das esquadrias ou dos vidros e têm custo maior. Fazem mais sentido em reformas.

Cortinas e persianas internas. Ajudam a reduzir a entrada de luz direta, mas menos do que o sombreamento externo. Tecidos claros e forros térmicos voltados para a janela melhoram o resultado.

O que fazer nas paredes e na fachada?

Cores claras. Paredes externas escuras absorvem mais calor. A pintura em tons claros reduz o aquecimento da fachada e, consequentemente, o calor que passa para dentro.

Vegetação junto às paredes. Árvores, trepadeiras e jardins verticais sombreiam as paredes mais expostas e resfriam o ar próximo ao imóvel. Em varandas e sacadas, vasos com plantas maiores criam sombra sobre o piso e a porta.

Isolamento de paredes. Em reformas maiores, revestimentos com camada isolante ou paredes duplas com espaço de ar reduzem a passagem de calor.

Como melhorar a ventilação do imóvel?

Ventilar retira o calor acumulado e aumenta a sensação de frescor, embora não reduza a temperatura do ar que entra.

Ventilação cruzada. Janelas ou portas em lados opostos permitem que o ar atravesse o imóvel. Onde não há abertura do outro lado, bandeiras e basculantes sobre as portas internas ajudam o ar a circular entre os cômodos.

Aberturas altas. O ar quente sobe. Janelas basculantes, venezianas ou exaustores perto do teto permitem que ele saia, especialmente em cozinhas, banheiros e sótãos.

Ventilação noturna. Abrir o imóvel à noite, quando a temperatura externa cai, renova o ar aquecido durante o dia. Durante uma onda de calor, porém, as mínimas também ficam altas, e o efeito diminui.

Ventiladores de teto. Consomem bem menos energia do que o ar-condicionado e melhoram a sensação térmica ao movimentar o ar. Funcionam melhor combinados com as medidas que impedem a entrada de calor.

Como usar a climatização gastando menos energia?

Em ondas de calor fortes, o ar-condicionado pode ser necessário, e seu peso na conta já é grande. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a participação do ar-condicionado na conta de luz das residências passou de 6,7% em 2005 para 14% em 2018. Quanto menos calor entra no imóvel, menos tempo o aparelho precisa ficar ligado. Outros cuidados ajudam a gastar menos:

  • Escolher aparelhos com melhor classificação de eficiência na etiqueta do Inmetro
  • Dimensionar a potência pelo tamanho e pela exposição do cômodo, já que um aparelho subdimensionado trabalha no limite o tempo todo
  • Climatizar só os cômodos em uso, com portas e janelas fechadas
  • Instalar a unidade externa na sombra, sempre que possível, para que o aparelho não trabalhe com o ar ainda mais quente
  • Manter os filtros limpos, conforme orientação do fabricante

O que fazer durante uma onda de calor?

As alterações acima têm efeito duradouro, mas algumas levam tempo. Durante uma onda de calor, algumas medidas simples ajudam a reduzir a temperatura dentro do imóvel de forma imediata:

  1. Fechar janelas e persianas nas fachadas que recebem sol direto, principalmente à tarde.
  2. Abrir o imóvel quando a temperatura externa ficar abaixo da interna, em geral à noite e no início da manhã.
  3. Reduzir fontes de calor internas, como forno, ferro de passar e lâmpadas incandescentes, nos horários mais quentes.
  4. Concentrar a climatização nos cômodos de permanência, com portas fechadas.
  5. Evitar ligar vários aparelhos na mesma tomada ou em extensões, para não sobrecarregar a instalação elétrica.
  6. Garantir reserva de água, já que as ondas de calor aumentam a demanda por água e energia.

Em casas com idosos, crianças pequenas ou pessoas com doenças crônicas, mais sensíveis ao calor extremo, vale acompanhar os avisos meteorológicos do Inmet, disponíveis em avisos.inmet.gov.br.

Que cuidados tomar antes de fazer alterações?

Em condomínios. Toldos, películas espelhadas e mudanças de cor nas janelas podem alterar a fachada, o que em geral exige aprovação em assembleia ou segue um padrão da convenção. A instalação de ar-condicionado costuma ter regras sobre o local da unidade externa e o escoamento da água.

Em imóveis alugados. Alterações feitas pelo inquilino devem ter autorização do proprietário por escrito. O ideal é registrar no contrato se a melhoria fica no imóvel ao fim da locação, se pode ser retirada e se gera algum tipo de compensação. Equipamentos existentes, como aparelhos de ar-condicionado, forros e toldos, devem constar no laudo de vistoria.

Na parte elétrica. Aparelhos de climatização exigem circuito adequado. Em imóveis mais antigos, vale verificar com um eletricista se a instalação suporta a carga antes de colocar novos equipamentos.

No telhado. Pintura, manta e forro envolvem trabalho em altura e precisam ser feitos por profissionais com equipamento de segurança. Telhas danificadas devem ser trocadas antes de qualquer aplicação.

Dúvidas comuns sobre como reduzir o calor no imóvel

Qual alteração traz mais resultado? Depende do imóvel. Em casas térreas e coberturas, o telhado costuma ser o ponto principal. Em apartamentos de andares intermediários, as janelas expostas ao sol da tarde pesam mais.

Película no vidro funciona? Reduz parte do calor que entra pela janela sem obra. Em condomínios, versões espelhadas podem depender de autorização, por alterarem a fachada.

Ventilador ou ar-condicionado? O ventilador consome menos energia e funciona bem quando o ar externo está mais fresco. Em dias de calor intenso, o ar-condicionado é mais eficaz, e as alterações no imóvel reduzem o tempo que ele precisa ficar ligado.

Nas ondas de calor, a reação mais comum é recorrer ao ar-condicionado quando o imóvel já está quente. O conforto, no entanto, depende mais do calor que o imóvel deixa entrar do que da potência do aparelho que tenta retirá-lo depois. Por isso, as alterações feitas antes dos dias mais quentes são as que trazem mais resultado, tanto na temperatura interna quanto na conta de luz.